Quando se fala de cultura e tradição, é impossível não falar de um dos símbolos mais marcantes da cidade: a Académica. Mais do que um clube de futebol, o Organismo Autónomo de Futebol da AAC carrega uma identidade profundamente ligada à Universidade, à vida estudantil e à própria história da cidade.
Conhecida como “a Briosa” ou “a equipa dos estudantes”, a Académica veste de negro desde a sua origem, numa referência direta à capa e batina académica. Durante décadas, a equipa foi composta por estudantes universitários e tornou-se um caso singular no desporto nacional, onde futebol, academia e intervenção cívica se cruzaram de forma natural.
A ligação entre a Académica e a resistência estudantil ganhou especial força nos anos 60, durante o período da ditadura. Em plena crise académica de 1969, jogadores e estudantes transformaram o futebol num espaço de contestação política e defesa da liberdade, levando para os relvados o espírito de resistência que marcava a cidade. A equipa protagonizou vários gestos simbólicos de protesto, tornando-se um dos rostos mais visíveis da resistência estudantil num país ainda sob censura.
O sucesso da Académica também se reflete no plano desportivo, assumindo-se como uma das dez equipas com mais participações na Primeira Liga Portuguesa. A história da Académica é também feita de momentos marcantes dentro das quatro linhas. Em 1939, o clube conquistou a sua primeira Taça de Portugal, um feito que permanece entre os momentos mais importantes do clube. O segundo grande capítulo chegou já em 2012, quando a Académica voltou a vencer a competição, quebrando um jejum de 73 anos e levando milhares de adeptos às ruas de Coimbra numa celebração que ficou gravada na memória da cidade.
Ao longo do século XXI, a Académica viveu diferentes realidades competitivas, entre a Primeira Liga, a Segunda Liga e, mais recentemente, a passagem inédita pela Liga 3.
Em maio de 2026, o clube garantiu o regresso à II Liga. Perante um estádio completamente lotado e num ambiente incrível, foi registado um novo recorde de assistência na Liga 3, num dos momentos mais emotivos para os adeptos nos últimos anos. Apesar das mudanças desportivas e das dificuldades financeiras que marcaram o seu percurso recente, a Académica continua a ocupar um lugar especial na identidade de Coimbra.
Hoje, os jogos disputam-se no Estádio Cidade de Coimbra, inaugurado em 2003 para o Campeonato Europeu de Futebol de 2004. Localizado a poucos minutos do centro histórico, o estádio tornou-se um dos principais equipamentos desportivos da cidade, acolhendo não só jogos de futebol, mas também concertos, eventos culturais e competições internacionais.
Em dias de jogo, sobretudo nos encontros mais importantes, Coimbra veste-se de negro. Entre estudantes trajados, cachecóis da Briosa e cânticos vindos das bancadas, permanece viva uma tradição construída ao longo de gerações, passada de pais para filhos e de padrinhos para caloiros. Porque a Académica nunca foi apenas um clube de futebol. É uma parte da identidade de Coimbra, da sua história académica e da memória coletiva da cidade, preservando uma ligação que se renova a cada nova geração de estudantes e que perdura muito para além da passagem pela Universidade.
Se pretende assistir a um jogo da Briosa ou conhecer um dos mais emblemáticos palcos do futebol português, o Estádio Cidade de Coimbra encontra-se a poucos minutos do Hotel Oslo Coimbra. A viagem demora cerca de 7 minutos de automóvel ou aproximadamente 6 minutos de Metrobus.



