Coimbra volta a tornar-se palco da arte contemporânea com o regresso do Anozero – Bienal de Coimbra. Entre 11 de abril e 5 de julho, a cidade abre-se a um conjunto de exposições, encontros e experiências que convidam a olhar o mundo de outra forma. Com entrada livre, a bienal espalha-se por vários pontos da cidade, tendo como epicentro o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e estendendo-se a espaços como o Edifício Chiado, a Sala da Cidade, o Convento São Francisco e o Jardim Botânico.
Em 2026, o tema nasce de uma raiz linguística antiga: *ghabh. Dela emerge um significado simples e, ao mesmo tempo, profundo: segurar, dar, receber. Três gestos que só fazem sentido juntos. Com curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, e curadoria assistente de Daniel Madeira, esta edição propõe repensar a própria ideia de exposição. Não como um lugar fechado, mas como um espaço de relação, de encontro e de transformação.
Há algo de essencial nesta ideia de partilha. Dar implica sempre alguém que recebe. Receber implica abertura. E segurar é o gesto que sustenta tudo o resto. O Anozero’26 parte desta lógica para explorar a forma como a arte e a arquitetura constroem relações: entre obras e espaços, entre artistas e público, entre o que vemos e o que sentimos. Num tempo marcado por desigualdades extremas, a bienal propõe uma reflexão sobre a importância da reciprocidade, da ajuda mútua e da ideia de comunidade.
Ao longo da cidade, cada espaço acrescenta uma nova leitura à experiência. As obras apresentadas atravessam temas como a memória, a emoção e a relação entre imagem e experiência, ampliando as formas de ver e de sentir.
Mais do que reunir artistas, o Anozero constrói ligações. Entre disciplinas, entre linguagens, entre pessoas. A arte cruza-se com a arquitetura, o pensamento com o espaço, o individual com o coletivo. Não se trata de transformar diretamente o mundo, mas de alterar a forma como o vemos. De abrir espaço à escuta, à dúvida e à imaginação.
Ao longo de quase três meses, Coimbra deixa de ser apenas cenário e passa a ser parte da exposição. Um território onde circulam ideias, olhares e experiências.
No fundo, o Anozero’26 não é apenas uma exposição. É um convite. A segurar, a dar e a receber.
Para consultar a programação completa, visite a agenda oficial do Anozero’26.



