Instalado no antigo Colégio da Sapiência, no coração histórico de Coimbra, o Museu da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra é um lugar onde o tempo parece abrandar. Entre paredes que atravessaram séculos, cruzam-se histórias de fé, de cuidado e de humanidade, num percurso que acompanha a própria vida da cidade.
Ao longo da sua longa história, a Misericórdia de Coimbra tem sido sustentada por uma Irmandade de homens e mulheres que, inspirados pelos valores cristãos, se dedicam a servir os mais vulneráveis. Seguindo as Obras de Misericórdia, procura responder às necessidades sociais do presente, sem esquecer a dimensão humana e espiritual de cada pessoa.
Aberto ao público a 12 de setembro de 2000, o museu nasceu no contexto das comemorações dos 500 anos da fundação da Misericórdia de Coimbra, instituída por decisão do rei D. Manuel I.
O edifício que hoje acolhe o museu foi construído entre 1593 e 1604 como colégio universitário dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Após a extinção das ordens religiosas masculinas, em 1834, o espaço encontrou uma nova missão ao ser entregue à Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Durante mais de um século, funcionou como orfanato, acolhendo gerações de crianças, num capítulo profundamente humano da sua história que lhe valeu o nome de Colégio dos Órfãos.
O acervo do museu revela-se vasto e profundamente simbólico, reunindo coleções de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria, mobiliário e arte sacra. A pintura assume especial relevo, com uma galeria de retratos de Provedores e Benfeitores, datados entre os séculos XVII e XX, que ajuda a contar a história da instituição e das pessoas que a marcaram ao longo do tempo. Na escultura, destacam-se peças de grande valor artístico e devocional, algumas de época renascentista e quinhentista, lado a lado com imaginária em madeira policromada, faiança e outras obras ligadas à prática religiosa.
A Capela da Misericórdia é um dos espaços mais marcantes do museu. Mandada erguer em 1593, apresenta uma nave central com coro-alto e uma abóbada ricamente decorada, onde símbolos cristãos convivem com referências profanas à epopeia marítima portuguesa. No coro, o órgão de tubos do século XVIII continua a dar voz ao espaço, enchendo-o de som durante celebrações religiosas e concertos.
Mais do que um museu, a Santa Casa da Misericórdia de Coimbra é um lugar de memória viva. Um espaço onde arte, fé e ação social caminham lado a lado, recordando que a história também se constrói através do cuidado, da solidariedade e do silêncio.



